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Mostrando postagens de 2013

Será que professores sabem o que quer dizer laicidade?

Todos que acompanham este blog sabem de minha dileção pela crítica religiosa sobretudo direcionada à religião cristã. Muitas vezes ouço ou recebo mensagens de pessoas que procuram me taxar como “ateu”, “herege” ou até “endemoninhado” graças às minhas palavras nada agradáveis quando comento sobre o cristianismo – e aqui, mais uma vez, refiro-me a todas às religiões que veem na figura de Jesus Cristo seu principal representante. Por isso, aqui na minha cidade, recuso-me a participar de todos os eventos que de uma maneira ou de outra percebo o envolvimento de alguma igreja, sobretudo a católica.

Minha desilusão religiosa, como não poderia deixar de ser, foi colossal, mas ela me incentivou de algum modo a buscar mais as argumentações a respeito dessa coisa chamada religião que eu acreditava cegamente entender. Talvez, na realidade, eu já carregava comigo de forma incipiente uma certa descrença, mas sempre procurava deixá-la de lado, escondê-la, ou por medo ou por precaução. Mais tarde, já…

Os moleques baderneiros dorenses

Como todos sabemos, o nosso país, um pouco antes, durante e depois da Copa das Confederações, pipocou de manifestações populares. Um clima de insatisfação e de indignação enfim tomou forças e influenciou a população brasileira a ir para as ruas "reivindicar pelos seus direitos", essa influência ganhou força em especial na população jovem, mas muitos das demais idades também foram vistos manifestando suas indignações, fossem elas violentas ou não.

Frases ficaram famosas como "o gigante acordou" ou "vem pra rua" foram entoadas aos quatro cantos do país e elas, as frases, que inicialmente tinham um sentido propagandístico, respectivamente, para o Whisky Johnny Walker e a montadora de carros Fiat, passaram a ser os mantras dos manifestantes. Mas prefiro não me deter nas manifestações fora do meu município, quero apenas registrar o momento histórico que serviu de estopim  para a tentativa de manifestação que aconteceu por aqui. E também porque já existem muito…

Que é isso que chamamos "razão"?

Aprendemos que o ser humano é um ser "superior" se comparado aos animais, e essa "superioridade" estaria relacionada a uma característica única, exclusivamente nossa, que nos faz ser o que somos: a nossa razão, grosso modo, a nossa inteligência. É ela, essa coisa chamada razão, que pulula em nossa cabeça tentando nos dar um norte para as coisas que pensamos e fazemos. É essa coisa que nos obriga a articular sons, letras, palavras, frases e assim buscar ou dar algum sentido àquilo que vemos, que tocamos, que cheiramos... É essa coisa chamada razão que tenta explicar as coisas mais inimagináveis possíveis, que dá sentido a algo que não possui, que nos faz criar monstros...

Mas, finalmente, que é isso que chamamos "razão"?

Caminhando de volta para casa, furtivamente me vejo ouvindo as conversas das pessoas que cruzam pelo meu caminho. Ouço a conversa dos jovens, adolescentes, agrupados na praça com seus skates, uns sentados e outros realizando suas exibiçõe…

O MUNDO DA APARÊNCIA OU DA TITULAÇÃO

Ao preparar uma aula sobre Platão para os alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos) aqui no município onde trabalho, deparei-me novamente com os conceitos e aspectos que identificam a filosofia platônica e pude então refazer minha perspectiva a respeito de sua filosofia e o impacto dela nos dias de hoje. Ao realizar isso, pude perceber, mais uma vez, o porquê de este filósofo grego ser tratado como referência, como base, como clássico de fato na tradição filosófica ocidental.

Obviamente que não farei aqui uma interpretação aprofundada, rebuscada, acadêmica sobre este fantástico filósofo. No muito, inclusive como é próprio da proposta deste blogue, farei minhas inserções de cunho meramente "filosofante" neste post para que o leigo possa compreender o papel que a filosofia, em especial a filosofia platônica, pode auxiliar o ser humano na busca de sentido da nossa realidade tão mascarada, tão escondida e tão enviesada de ideologias dominantes. Obviamente também que a propos…

Os falsos profetas da Educação Pública

Ao participar de palestras motivacionais que ocorrem rotineiramente na educação do estado de Sergipe, estrategicamente planejadas para antes do início do período letivo, sou sempre tomado de questionamentos, frustrações e indignações que de algum modo me afetam diretamente. Não sei se em outros estados as secretarias de educação agem da mesma forma, de colocar palestras de cunho "motivacionais" aos professores para que iniciem de uma forma bastante positiva o período letivo. Nos meus tempos idos de estudante repleto de ideias e nenhuma prática, com nenhum conhecimento tácito da realidade educacional do meu estado, acreditava piamente que esse tipo de mecanismo pudesse refletir positivamente na educação de alguma maneira. Mas hoje, já passado alguns anos de experiência em sala de aula, não vejo mais com aqueles olhos de outrora. Assumi desde então que não mais participarei desse tipo de evento por justamente desacreditar isso que comumente chamam de "motivação" mas …

É o carnaval uma festa popular?

É fato que no Brasil impera o que se chama de pluralidade cultural. Desde a origem do nosso país, segundo grandes teóricos da área, como Gilberto Freire em Casa Grande & Senzala, nota-se a pluralidade cultural originada de uma miscigenação entre brancos, negros e índios. Isso sem comentar a miscigenação entre nações estrangeiras e a nossa que durante a contemporaneidade formam o nosso ethos, a nossa essência cultural, a nossa identidade, como foi o caso de japoneses, italianos, alemães, portugueses que migraram para o nosso país e deram sua parcela de contribuição à formação da nossa cultura. O Brasil, de dimensões continentais, possui uma pluralidade, uma variação de cultura tão rica, mas tão rica, que algum desavisado pode confundir-se ao viajar do norte ao sul do país acreditando estar em outro país.
Muitos desses povos trazidos ou vindos para cá lutaram – e ainda lutam – para ter sua parcela de reconhecimento na construção cultural do nosso país. Os negros africanos que o diga…