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Mostrando postagens de 2009

É proibido ser infeliz!

Devo confessar que estou bastante apreensivo com o rumo das coisas do jeito que estão indo... Violência, aquecimento global, desrespeito ao ser humano, corrupção e agora, vejam vocês, estamos até proibidos de sermos infelizes. Pois é... Talvez esta última constatação seja a mais preocupante, porque me vejo numa sociedade que impede até de ficarmos tristes com esses fenômenos tão iminentes e corriqueiros em nosso cotidiano, pois deveríamos colocar tais coisas debaixo do tapete e agir como se nada estivesse acontecendo de ruim no nosso mundo. Essa parece ser a palavra de ordem do momento. Tal constatação me veio como um soco no estômago quando uma matéria de uma revista me mostrara que as empresas estão preocupadas atualmente em contratar "pessoas com grau de satisfação elevado" ou então aquelas pessoas que conseguem ser "felizes". Criaram até uma forma de medir o grau de felicidade desse possível candidato! Nesse sentido, noto que a tristeza transformou-se em doença…

Da difícil arte do pensar puro

Esse ímpeto cego é mais forte. Essa vontade cega, errante, caótica, contraditória, ergue-se constantemente das cinzas a fim de encontrar um nada que não sei para o quê serviria... Fico a espera de alguém, de alguma pessoa que me traga um alento, uma atenção, uma palavra inteligente, maliciosa, sarcástica. Não essa coisinha bonitinha, encaracolada que toma todos os cantos desse novo lugar onde insisto em querer ser feliz. Alguém que me traga saudade, que abra meus pensamentos para o novo, algo que me distraia de maneira contundente, aprazível, com conteúdo. Mas sei que sou um estúpido por esperar isso. Sei que esses momentos já passaram, não voltarão mais (a não ser em minha lembrança vicejante). Sei e reconheço que em verdade espero por mim mesmo. Espero que esse alguém que volte ou que venha do nada seja eu mesmo, travestido pela árdua viagem das aventuras que sempre quis ter e meu bom senso non sense transformou-o em algo incapaz, impotente diante dos músculos poderosos dessa coisa …

Um breve comentário da condição do aposentado na contemporaneidade brasileira

Um indivíduo resolve se aposentar depois de um bom tempo trabalhando. Nos dias de hoje, tal situação é extremamente corriqueira, pois, graças aos avanços conseguidos para o progresso da humanidade trazidos com a industrialização e as reivindicações dos trabalhadores, um indivíduo agora pode descansar em sua velhice depois de um bom tempo vendendo sua força de trabalho para se sustentar. Chega a ser algo parecido como uma premiação poder descansar depois de quase uma vida inteira dedicada ao trabalho... Espere um momento? Eu disse "premiação"? Será que podemos chamar de fato "premiação" uma remuneração que um indivíduo recebe depois de se aposentar? Será que é a mesma coisa que ele recebeu durante o tempo em que trabalhou incluindo todas as vantagens de quando estava na ativa? Será que aquilo que ele recebe como aposentado condiz realmente com o que ele merece ganhar?
Ao observarmos um salário em qualquer função – salvo algumas raras situações tidas como especiais – …

Um entendimento sobre a corrupção

Corrupção, segundo o dicionário Larousse, "ato ou efeito de corromper, decomposição, depravação", ou ainda, "ação de seduzir ou seduzir-se por dinheiro, presentes, etc., levando alguém a afastar-se da retidão". À primeira vista, este conceito da palavra nos soa um tanto estranho tendo em vista que muitas vezes vemos o termo corrupção associado a políticos, a pessoas que foram eleitas para serem nossas representantes no nosso tipo de governo. Todavia, o que muitos não sabem é que esse termo, esse "desvio moral", está tão presente em nosso cotidiano, diria até em nossa própria história enquanto civilização, que não nos damos conta. A corrupção não está apenas no parlamentar que aceita algum agrado ("propina", na linguagem politiqueira) de alguém em troca de algum benefício, por exemplo; ela pode estar na nossa simples relação com alguém que nos poderia oferecer algum tipo de serviço ou "vantagem", como quando conhecemos algum caixa bancá…

O problema da Educação em Sergipe - alguns comentários

A vida acadêmica é recheada de qualidades que muitos as julgam como fulcrais para o exercício da profissão escolhida ou até mesmo para o bem conduzir da vida enquanto um "cidadão consciente". O estudante de Direito, por exemplo, é tomado pelos conhecimentos teóricos concernentes à sua área; o de Filosofia é invadido pelos também conhecimentos teóricos pertinentes à sua área; o de História passa a conhecer os conteúdos que deverá tratar e assim por diante. Nesse período de aquisição ou de preparação, qualquer um desses estudantes se vê acometido por inúmeras teorias muito bem elaboradas, muito bem desenvolvidas e que, a priori, permitem certa aproximação de "uma" realidade, ou seja, conhecem-se os conceitos, os fundamentos e, mais tarde, ao concluir seu respectivo curso, ele é tido como preparado e conhecedor desta realidade ensinada. Mas aí, enfim, ele cai na realidade "real", perdoando a redundância. Qualquer um desses estudantes regressa ou ingressa n…

A felicidade existe e está na sua sala

Enquanto uns poucos se vangloriam em seus lares com suas bugigangas eletrônicas, seja no deleite de ouvir alguma música em algum aparelho altamente sofisticado ou no simples ato de redigir alguma coisa em um computador de última geração, com a impressão de que vive em um momento muito mais "feliz" que o seu antepassado que não gozava de tais "felicidades", outros, todavia, não tem sequer conhecimento dessas coisas e estão com a impressão de que a felicidade reside em satisfazer-se com as mínimas necessidades básicas, cito, por exemplo, água e comida. Mais ainda, existem até aqueles que creem que a felicidade está nesses fabulosos e engenhosos objetos transparecendo até que eles são "entidades vivas", "seres superiores" ao próprio homem no sentido de que eles, os ditos objetos, têm mais valor que a própria pessoa. É esta, então, a essencial característica desses tempos pós-modernos: a super valorização das coisas. O ser humano agora passou a se…

Um desabafo contra a religiosidade farisaica

Padres, padres e mais padres tomam a cidade outrora pacata. A todo instante algum sabedor de religião diz ser dono da palavra verdadeira, da última palavra em religião, da encarnação da palavra, e por aí vai. São eles todos doutores! Nefastos e idiotas doutores com toda sua pompa, sua audácia malfazeja, seu caráter mesquinho, pequeno burguês, hediondo contra um raro espírito livre nesse mesmo lugar outrora pacato. Esses pulhas invadem até o silêncio da madrugada arvorando-se donos de algo que jamais podem ou poderão controlar, apenas habitar, invadir, tal qual os portugueses realizaram aos humanos que aqui já habitavam e foram todos violentados em todos os aspectos. Vestem-se com toda a pompa, com toda a soberba, com todo o invólucro de falsidade, de enganação, e o que é pior, ludibriam e expropriam as pobres almas que fazem questão de serem pobres almas, de estarem ali, reclusos e apequenados em suas desumanidades corriqueiras, cotidianas, acreditando que Deus acredita neles, "p…

Uma verdadeira oração para Deus

Quão gozosos se encontram os seres humanos quando descobrem que estão sob o jugo da paixão, quando se veem enamorados por alguém e esse alguém retribui o mesmo sentimento que lhe foi dado! Ambos parecem caminhar por sobre as nuvens galgando mais e mais para ficarem próximos do Ser Divino! Experimentam sentimentos nunca antes sentidos e descobrem-se acima de tudo vulneráveis aos caprichos do outro, do outro que lhe é o objeto de adoração, de amor... Para esses seres humanos "tudo é lindo, tudo é maravilhoso" – até a "pieguice"; onde havia sofrimento, reina agora alegria, o êxtase espiritual! Querem contar a tudo e a todos o quão de felicidade toma cada vez mais seu coração, sua alma, seu ser... É algo comparável àquele fiel, devoto fervoroso de sua religião, que descobre nela a certeza que o aproximará ao seu objeto de adoração, que levará ao seu deus – coisa que se nota como principal meta a qualquer religião verdadeira e que é justamente alcançar a divindade.…

A verdadeira religião e uma religião que apequena o ser humano

A religião, embora seja um tema há muito discutido e re-discutido e pensado e re-pensado, ainda assim consegue ouriçar as pessoas no nosso mundo, sejam elas de qualquer raça, credo ou classe social. Até os menos inteligentes, os que não buscaram se aprofundar de uma maneira um tanto mais rebuscada sobre este tema, acham-se grandes sabedores, eloqüentes conhecedores deste tema tão vasto senão complexo. Absolutamente todo mundo possui uma opinião formada sobre a religião e muitos ainda não admitem que ninguém discorde posto que "a minha opinião é fundamentada naquilo que o padre ou o pastor falou". Deveriam ler mais. Estes grandes sabedores da religião, embora tenham toda crença possível e impossível que a sua escolha ou impressão – que seria o termo mais conveniente – sobre religião é perfeita e praticamente inabalável, acreditam-se no direito legítimo, ou até mesmo "divino", de tratarem sobre esse assunto como se fossem um santo Agostinho, um Lutero ou até mesmo um…

A condição do homem contemporâneo

Talvez seja uma pergunta supostamente tão simples e pretensiosa, mas que soa não menos absurda: será que a razão venceu? De fato, não podemos negar que o homem contemporâneo ou moderno goza de avanços tecnológicos outrora impensáveis ou simplesmente destituídos sequer de uma suposta aura de possibilidade. Pode-se transformar a natureza de um modo tão profundo que o próprio homem jamais sonharia possuir essa tal e incrível capacidade. Nesse sentido, a razão realmente conseguiu ofertar ao ser humano um avanço inominável, tornou-se um instrumento fantástico capaz de proporcionar os desejos supostamente irrealizáveis. Com ela, a razão, o homem alcança aquilo que a sua mão não lhe permite ofertando à sua mente poderes incomensuráveis. Não obstante, é essa mesma capacidade que o distanciaria de si mesmo impondo-lhe algo que o rejeita, que o faz desconhecer-se, enfim, que o aliena. Sim, o ser humano hodierno tem alcançado uma individualidade que o transforma, que o regenera até certo ponto, …